Tempo de reajustes

Olá, bem-vindos! Como têm passado?

Estamos a caminhar para a Lua Nova (será dia 20) e a oportunidade agora é para refletir, libertar, simplificar, finalizar…

portrait of a thoughtful woman with windblown hair
Photo by Zulfugar Karimov on Pexels.com

Mas acredito que haja por aí muita confusão e seja difícil perceber como simplificar e o que libertar…

Mercúrio ainda está bastante próximo de Marte, em busca de uma resolução clara, rápida e certeira, o que acaba por trazer alguma ansiedade. Ainda não é o tempo de deixar tudo resolvido. Estamos mais numa fase de «ir resolvendo». Voltar atrás faz parte do processo. Precisamos de rever ideias, decisões, projetos…

Dar um passo atrás não precisa de ser um atraso ou um falhanço. Muitas vezes é uma maior abertura em relação ao que temos pela frente. Quando estamos demasiado perto de tudo, acabamos por não ver nada. O afastamento, o recolhimento, pode ser benéfico, no sentido de ganharmos um horizonte mais largo, ao mesmo tempo que nos religamos com o que vai dentro de nós. Com o que é a nossa verdade.

Também estamos numa boa altura para recordar que a «verdade», o que é «certo», não é necessariamente igual para todos e também não é necessariamente igual ao que antes sentíamos como verdadeiro e certo. Estamos em tempo de reajustes, de realinhamentos, de reencontros, principalmente dentro de nós, mas também com os outros. Há que confiar no caminho da alma, nos sonhos e nas esperanças, e tentar não nos fixarmos demasiado nas incertezas e nos medos.

Vénus faz a sua dança por Escorpião, o que simboliza, em geral, uma energia bastante mais densa e profunda a nível das relações (amorosas, familiares, profissionais, amizades). Estamos mais conscientes de como estamos ligados aos outros, das formas como nos relacionamos e isto pode ser benéfico para estreitar e fortalecer laços. Contudo, esta é uma energia pesada, naquilo que se quer leve. Ao ganharmos maior consciência das nossas ligações, descobrimos aquilo que andava a ser mantido na sombra: inseguranças, dependências, ciúmes, inveja, desejos reprimidos, expectativas frustradas…

É até fácil demais cair no erro de culpar o outro (e este «outro» pode ser desde o cônjuge ao vizinho, passando pelo filho e pelo colega de trabalho e todos os «outros» que nos cruzam o caminho). O «outro» não nos dá o devido valor, a devida atenção, não nos ouve, não nos vê, não nos sente, não nos reconhece, não nos dá o que precisamos e exige que demos mais do que aquilo que temos… Pessoas sendo pessoas, certo?!

O verdadeiro desafio é voltar ao centro, ao nosso centro, depois de o «outro» nos ter dado o mote, retirando-nos as ilusões em que vivíamos. A «culpa» não é do outro, aliás, não há sequer uma «culpa» a ser atribuída (aqui para o que nos interessa, que é viver uma vida mais feliz e com propósito).

Quando nos é apresentada uma situação em que sentimos algum tipo de desequilíbrio ou desajuste em relação aos outros, é tempo de nos questionarmos onde é que nós próprios nos deixámos desajustar, que buracos deixámos abrir no nosso ser, para começar a acreditar que outro alguém precisava de ser/fazer isto ou aquilo para melhorar a nossa vida.

Nestes dias mais introspetivos que temos pela frente, é aconselhável pensarmos de que maneiras podemos voltar a sentir-nos mais inteiros. É altura de nos afastarmos de influências perturbadoras e de nos libertarmos daquilo que já não faz sentido para nós, nesta fase.

Estamos num retorno à nossa Verdade e ao nosso caminho único. Mesmo com os seus altos e baixos, curvas e contracurvas. É um caminho especial, feito por nós, pela nossa alma.

E quando voltamos a nós, àquilo que nos faz sentir únicos e especiais (principalmente quando não precisamos que alguém nos diga isso!), tudo o resto encontra o seu lugar perfeito na nossa vida: pessoas que chegam, pessoas que partem, projetos que terminam, projetos que começam, ideias que surgem, ligações que se fazem… Tudo se começa a encaixar…

O segredo está em não esperar que as coisas mudem do lado de fora, do lado dos outros. As mudanças têm de ocorrer primeiro dentro de nós, não no sentido em que nos sentimos forçados pelos outros ou pelas circunstâncias, mas no sentido de nos sentirmos bem na nossa pele. Quando encontramos a sintonia interior, ela reverbera e acaba por sintonizar o exterior.

Nos próximos dias vai formar-se um grande trígono de água, com o Sol em Escorpião a juntar-se à conversa com Saturno em Peixes e Júpiter em Caranguejo. A avaliação interior que estamos a fazer, assim como de tudo o que se está a passar abaixo da superfície, vai ajudar-nos a conjugar os sonhos e as esperanças com as limitações próprias da realidade. Os dois grandes planetas estão retrógrados e não prometem avanços grandiosos, para já, mas ajudam ao reajuste interior que precisamos fazer, para que tudo se comece a mover da melhor maneira, em breve.


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