Lua Nova em Escorpião

No dia 20 de Novembro, o Sol, a Lua e Mercúrio juntam-se para assinalar o início do novo mês lunar.

Se andarmos a fazer o nosso trabalho interior, temos tido tempo suficiente para confrontar as nossas sombras.

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Nunca é fácil olhar para aquelas emoções e sentimentos que nos ensinaram a esconder, (até de nós próprios!) de maneira a conseguirmos parecer pessoas “normais”.

Quantas vezes não vamos ignorando orientações internas só porque temos receio da forma como isso será recebido pelo mundo?

Vamos acumulando dissabores, desilusões e desesperanças à mistura com vergonhas e medos, numa tentativa de nos aproximarmos de uma «normalidade aceitável». Afastamo-nos da pessoa que realmente somos e dos rumos peculiares para os quais a alma nos chama, só para não arranjarmos problemas (pensamos nós).

Invariavelmente, tal como o azeite vem à superfície, também a nossa verdade espreita por baixo da tampa pesada com que a sufocamos. E, quando continuamos sem coragem para a ver com clareza, surgem os sinais no corpo, sintomas e doenças que, primeiro, vão pedindo atenção e, depois, simplesmente a exigem.

Mesmo quando achamos que somos pessoas bem resolvidas, há sempre qualquer coisa que nos chama a ir mais fundo, a questionar o sentido de certas situações e experiências.

Se há uma coisa que tenho como certa, é que não há coincidências… Quando acontece algo que tomamos como feliz, é óbvio que não paramos para nos questionar «porque é que isto me aconteceu?», estamos completamente absorvidos na experiência. Mas no momento em que sentimos as coisas a ir para o torto, é logo: «Porque é que isto me aconteceu?» ou «O que é que eu fiz para merecer isto?».

Até é bom fazermos estas perguntas, desde que não seja da perspetiva de mártir, mas a partir de uma abertura curiosa.

Por mais que nos custe, é importante percebermos o que fizemos para ter determinado resultado. É certo que nem tudo está sob o nosso controlo, mas há muita coisa que está. De que modo as nossas ações e comportamentos passados nos trouxeram até aqui? A forma como pensamos pode ter servido como travão de bênçãos ou acelerador de miséria.

Ter esse nível de honestidade interior é um ponto de partida para a mudança positiva. Porque dessa forma, em vez de criarmos mais amargura e desespero, criamos um espaço onde nos permitimos aprender e evoluir.

Temos agora uma oportunidade de voltarmos um pouco atrás para avaliarmos o que aconteceu antes e o que isso nos trouxe. Ao mesmo tempo, temos uma abertura de caminho pela frente, mas até essa abertura pode ser assustadora, como tudo o que é desconhecido…

Não há assim grandes truques para aliviar esta energia. É altura de fazer uma avaliação honesta e profunda do que guardamos em nós. Não apenas daquilo que tomamos como defeitos ou falhas, mas também, e principalmente, daquilo que desejávamos ser e fazer e que, algures por aí, deixámos de acreditar ser possível.


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